São Paulo, SP, 23/09/2019
 
18/04/2016 - 01h00m

Maluf e Tiririca votam Sim; deputados de São Paulo cravam 57 a favor e 13 contra

Agência Hoje 

São Paulo (Agência Hoje) - Os deputados Paulo Maluf (PP-SP) e Tiririca (PR-SP) deram voto favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, surpreendendo a maioria dos parlamentares. Os dois passaram os últimos dias se recusando a declarar o voto e evitando contatos com a imprensa.

Os votos de Maluf e de Tiririca elevaram para 57 o número de votos de parlamentares de São Paulo a favor do impeachment. O não ficou restrito a 13 deputados. Ao sair de encontro mantido com o vice-presidente Michel Temer na sexta-feira, 15, Maluf recusou-se a confirmar seu voto, alegando que não era preciso - "já dei minha palavra".

Já Tiririca evitou declarar o voto, mas adiantou que "todos vocês vão ter uma grande surpresa, esperem para ver". Na hora do voto, falando pela primeira vez no microfone da Câmara, ele não hesitou e declarou o Sim sem fazer maiores comentários. Recebeu abraços dos deputados da oposição e saiu rindo.

BANCADA PAULISTA TEM 70 VOTOS. MAIORIA OPTOU PELO IMPEACHMENT

Brasília (Agência Brasil/Caroline Gonçalves e Karine Melo) - O estado com a maior representação na Câmara dos Deputados, São Paulo, finalizou com 57 a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff e 13 votos contrários. A bancada paulista tem 70 vagas na Casa, distribuídas entre partidos aliados e oposicionistas. Durante as votações, quando parlamentares podem falar por dez segundos, governistas enfatizaram que o processo é um golpe.

O voto de Paulo Maluf (PP), que chegou a gerar expectativas durante a última semana, seguiu a orientação do partido que fechou questão e anunciou que expulsaria parlamentares que votassem contra o processo. De outro lado, Arlindo Chinaglia (PT), afirmou que o caminho mais curto para garantir a democracia é pelas eleições e foi o primeiro a se manifestar contra o impeachment. O apoio ao governo foi seguido pelos também petistas Carlos Zaratini, José Mentor e Ana Perugini, entre outros.

Por outras legendas, Dilma também recebeu os votos contrários ao processo dado pelos parlamentares do PSOL. Ivan Valente, líder da legenda, voltou a atacar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de conduzir o processo “sem ter legitimidade” já que é réu em processo no Supremo Tribunal Federal (STF), e o vice-presidente da República, Michel Temer, que assume a vaga de Dilma caso o Senado aprove o pedido. “A eleição de Temer pelo impeachment é uma fraude”, disse Ivan Valente.

O voto favorável do deputado Tiririca (PR) causou reboliço no plenário. Dias antes da votação, Tiririca foi perguntado por jornalistas como votaria e sintetizou: “no microfone”.

A aprovação do processo foi obtida com o voto de 342 deputados (2/3 dos 513) a favor do parecer do deputado Jovair Arantes (PTB-GO), que recomenda a abertura de processo contra Dilma, por considerar que houve crime de responsabilidade da petista por editar decretos de crédito suplementares sem autorização do Congresso e pelo atraso de pagamentos que ficou conhecido como pedaladas fiscais. Com o processo admitido, o julgamento da presidente passa a ser conduzido pelo Senado.

A votação ocorreu individualmente. Conforme determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão na última sexta-feira (15), a votação seguiu conforme o regimento interno da Câmara com chamada alternada de deputados da Região Norte para a Sul.

Em cada estado, ela será nominal por ordem alfabética. O último a votar foi o deputado Ronaldo Lessa (PDT-AL), cujo partido fechou questão no apoio a presidente Dilma e já anunciou que irá expulsar da sigla os infiéis.

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