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29/07/2013 - 12h22m

Ministro diz que Papa deixa lições para a classe política

Agência Brasil/Cristina Indio do Brasil e Wladimir Platonow 

Rio de Janeiro – O papa Francisco deixou uma mensagem aos políticos durante sua passagem pelo Brasil: de que é preciso valorizar a simplicidade e o serviço, em detrimento da carreira. A avaliação foi feita pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, ao chegar para a cerimônia de despedida do pontífice, na Base Aérea do Galeão.

¨Foi fortíssima [a mensagem para a classe política]. Quando ele chega aqui no Galeão e em vez de entrar em um carro preto blindado entra em um carro de classe média e quando ele se aproxima do povo, quando ele não tem medo do povo, quando fala que é importante o pastor ter o cheiro da ovelha, ele dá uma enorme lição para nós. De que a política não pode ser carreira, tem que ser serviço ao povo. É uma lição que eu espero que todos nós aprendamos. A gente tem que ter a humildade e a simplicidade de acolher esta palavra e deixar que ela nos questione".

Antes de chegar à base, Carvalho disse que os resultados da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ficaram acima do que era esperado. “Na avaliação do governo, foi muito acima do que esperávamos. A presidenta [Dilma Rousseff] estava muito satisfeita e a gente vê pelas pessoas nas ruas. Claro que houve problemas de infra-estrutura e logística. A cidade é submetida a um estresse enorme de botar mais de 2 milhões de pessoas, mas pensando que foi o maior evento já realizado no Rio de Janeiro. O significado maior que fica para mim é essa injeção de energia positiva. Acho que o Brasil ganhou um presente”, completou, acrescentando que os problemas não apagaram o sucesso da jornada.

Para Gilberto Carvalho, em qualquer lugar do mundo, é impossível ter um público tão grande sem ter filas e aglomerações.“Eu fiz um teste e conversei com as pessoas. A sensação é que foram bem acolhidos. Esse negócio de terem ficado em casa [hospedagem de peregrinos e voluntários em casas de brasileiros] revela muito a cultura do brasileiro. Estavam muito felizes. Acho que o Rio passa neste teste. Não tenho dúvida alguma”, analisou.

Para outros eventos no país, ficou a experiência que é preciso planejar tudo com antecedência. “A gente tem que ir aprendendo a cada evento. Nenhum será tão grande como este. Nem Copa do Mundo e nem Olimpíadas vão trazer tanta gente para uma única cidade. Acho que para o Brasil foi muito bom, também, um evento com este aspecto positivo de alto astral. Nós estávamos em uma coisa muito de baixo astral, muito de protesto, que é muito bom e necessário, e acho que a jornada complementa as manifestações”, concluiu.

Ele disse que a juventude brasileira recebeu uma injeção de força com a vinda do papa. "Não é apenas para quem estava aqui. Acho que ela [juventude] recebe uma injeção de que é possível você mudar a sua vida e se engajar, ser responsável socialmente. Essa ligação ele faz entre a fé e o engajamento social é muito importante. Ter fé significa ter responsabilidade social".

BISPOS SÃO ORIENTADOS A FICAR PERTO DO POVO

Rio de Janeiro (Agência Brasil/Cristina Indio do Brasil) – Em encontro com membros do Comitê de Coordenação do Conselho Episcopal da América Latina (Celam), o papa Francisco defendeu que os bispos devem se aproximar do povo e o exercício das virtudes de paciência e misericórdia. "Homens que amem a pobreza e que não tenham psicologia de príncipes. O lugar onde o bispo pode estar com o seu povo é triplo: ou à frente para indicar o caminho, ou no meio para mantê-lo unido e neutralizar as debandadas, ou então atrás para evitar que alguém se desgarre", disse em reunião no centro de estudos da residência oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro, no Sumaré, zona norte do Rio.

De acordo com o papa, é preciso renovação da Igreja. Ele ponderou que ela está ocorrendo, porém com atraso em algumas regiões.“Creio e não se ofendam, que estamos muito atrasados”, ao mencionar o trabalho nas pastorais na América Latina.

No encontro, foi discutido o documento da 5ª Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, em Aparecida, no mês de maio de 2007.

Na avaliação do papa, a Conferência de Aparecida propôs a conversão pastoral e um exame de consciência dos bispos. O pontífice indicou aos bispos que a Igreja não deve ser de centro, mas de periferias. “O discípulo-missionário é um descentrado. O centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais. A Igreja é instituição, mas, quando se erige em centro, se funcionaliza e, pouco a pouco, se transforma em uma ONG [organização não governamental]”, revelou.

Para o arcebispo de Williams, nas Antilhas Holendesas, Luiz Antonio Secco, o papa indicou a necessidade de que a Igreja está a par de seu tempo. “Ele mostrou como podemos atualizar o documento de Aparecida, que nos mostrou que a Igreja tem que se renovar no espírito e que a estrutura tem que estar disponível às mudanças da época atual. O papa indicou como o bispo tem que estar junto ao povo sem cair em clericalismo e em uma Igreja longe dos fiéis”.

Já o arcebispo da Península de Yucatan, no México, Emilio Berlie, destacou a preocupação de Francisco com a missão pastoral. Segundo ele, este será um dos temas da reunião de amanhã (29) do Celam, da qual participarão todos os 50 bispos. Para o arcebispo, o papa vai fortalecer ainda mais o conceito de aproximação da Igreja com os fiéis onde eles estejam.

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