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01/08/2016 - 17h37m

Mulher de João Santana confessa caixa 2, paga fiança de R$ 28 milhões e deixa prisão

Agência Hoje* 

Curitiba (Agência Hoje) - Depois de confirmar que recebeu dinheiro de caixa 2 na Suíça pelos serviços prestados na campanha de Dilma Rousseff, nas eleições de 2014, Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana, obteve liberdade provisória. Ela ainda terá de pagar R$ 28,7 milhões de fiança.

A decisão foi tomada pelo juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Mônica Moura e seu marido, João Santana, foram presos em fevereiro passado durante a 23ª fase da Operação Lava Jato. O pedido de liberdade foi feito pelo advogado do casal, Fábio Tofic Simantob.

"Depois que eles prestaram depoimento na semana passada, nós fizemos uma petição porque não fazia mais sentido mantê-los presos diante da postura deles perante a Justiça", explicou Simantob. O advogado ressaltou, ainda, que o casal admitiu ter cometido alguns erros, mas não agiu em conivência com a corrupção em nenhum momento.

Dinheiro Bloqueado

No despacho, o juiz Sérgio Moro disse que "pretendendo João Cerqueira de Santana Filho a extensão do benefício, deverá peticionar nos mesmos termos e condições, observando, como fiança, os valores bloqueados em suas contas correntes. [...] Se apresentada petição nesse sentido, faça a Secretaria os autos conclusos para deliberação."

Com a decisão, Mônica deve ser solta nas próximas horas. A prisão foi substituída por medidas cautelares alternativas: proibição de deixar o país, proibição de manter contatos com outros envolvidos na Operação Lava Jato, comparecimento a todos os atos do processo e pagamento de fiança correspondente aos valores já bloqueados nas contas-correntes do casal.

O juiz decidiu que tanto o publicitário quanto a sua mulher seguem réus no processo. Moro estipulou os valores das fianças de Mônica Moura em R$ 28,7 milhões e João Santana, de R$ 2,7 milhões. Os valores já foram bloqueados pela Justiça.

Segundo as investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal (MPF), Santana e Mônica receberam, entre 2012 e 2014, US$ 3 milhões de offshores ligadas à Odebrecht e US$ 4,5 milhões da Keppel Fels. O casal afirmou ao juiz federal Sérgio Moro, em depoimento na semana passada, que o valor recebido de Skornicki foi de caixa dois da campanha presidencial do PT em 2010.

Desfaçatez

No texto da decisão, Moro criticou “a naturalidade e a desfaçatez” com que Santana e Mônica admitiram o caixa 2 na campanha, mas entendeu que a prisão preventiva não é mais necessária porque a ação penal está próxima do fim. A próxima fase será a sentença. De acordo com o juiz, o uso de caixa 2 significa nas campanhas eleitorais “trapaça” e afeta do processo político democrático.

“O álibi ‘todos assim fazem’ não é provavelmente verdadeiro e ainda que o fosse não elimina a responsabilidade individual. Se um ladrão de bancos afirma ao juiz como álibi que outros também roubam bancos, isso não faz qualquer diferença em relação a sua culpa. O mesmo raciocínio é válido para corruptores, corruptos, lavadores de dinheiro e fraudadores de campanhas eleitorais”, argumentou Moro.

Após o depoimento do casal, o PT declarou que todas as “operações do partido foram feitas dentro de legalidade”. O partido também ressaltou que a s contas de campanha eleitoral de 2010 foram aprovadas pela Justiça Eleitoral. A presidente Dilma Rousseff afirmou em seu Twitter, que não autorizou pagamento de caixa 2 “a ninguém”. “Se houve pagamento, não foi com meu conhecimento”.

* Com informações da Agência Brasil

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