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15/01/2014 - 11h44m

Museu Afro Brasil inicia mostra sobre Império Português no dia 24

Agência Hoje* 

São Paulo (Agência Hoje*) - O Museu Afro Brasil comemora os seus 10 anos com a exposição "Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber", em parceria com a Universidade de Coimbra, a partir do dia 24 de janeiro. A mostra será na Oca do Parque do Ibirapuera e reunirá peças raras do acervo da Faculdade de Ciências de Coimbra e também de colecionadores.

Os trabalhos refletem sobre a construção do conhecimento científico português em relação aos povos e territórios do além-mar, principalmente na África e no Brasil. O ponto de partida é a refundação da Universidade de Coimbra, na era do Marquês de Pombal (1699-1782), e a introdução do ensino das ciências na educação superior em Portugal, trazendo esse olhar para a contemporaneidade.

Entre as peças e obras expostas, há astrolábios, esferas, lunetas, mapas feitos pelo engenheiro italiano Miguel Ciera no séc. XVIII, cartas geográficas, desenhos, bustos frenológicos, contadores lusíadas (séc. XVI-XVII), olifantes (séc. XV-XVI), fotografias, documentos históricos da Universidade, herbários de Friedrich Welwitsch no séc. XIX e retratos do Marquês de Pombal (por Francisco José Resende, 1882) e de D. Francisco de Lemos (1735-1822), brasileiro que foi bispo e reitor de Coimbra.

Outro núcleo da exposição apresenta o raríssimo acervo de Antropologia do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, destacando-se, entre os objetos etnográficos, 32 tampas de panela do povo Woyo, recolhidas pelos missionários do Espírito Santo, de presença marcante em Angola desde a década de 1860.

Contém ainda uma cadeira de espaldar do povo Chowke; uma máscara masculina Nkaki, dos Luluwa; uma estatueta de representação de missionário, do povo Yombe; duas máscaras do povo Songo; e pentes e máscaras Mwana Pwo e Cihongo dos artistas contratados pela companhia Diamang, que trabalhavam numa aldeia situada no complexo do Museu do Dundo, em Angola.

Incorporados à exposição na Oca, artistas contemporâneos atualizam esse universo da “Cartografia do poder”: Albano da Silva Pereira, Albuquerque Mendes, Ana Vieira, André Cepeda, Arthur Omar, Aston, Cristina Ataíde, Debbie Fleming Caffery, Didier Morin, Dominique Wade, Edgar Martins, Gérard Quenum, Gonçalo Pena, Guilherme Mampuya Joan Fontcuberta, João Fonte Santa, João Pedro Vale, Joel-Peter Witkin, José de Guimarães, José Luís Neto, José Resende, José Rufino, Lygia Pape, Miguel Palma, Nuno Cera, ORLAN, Paul Den Hollander, Sam Durant, Sofia Leitão, Susana Anágua e Tunga e Yonamine

Viagens Científicas

Os laços históricos entre Portugal e Brasil são bastante conhecidos, mas o grande público geralmente desconhece o interesse científico que Portugal, a Metrópole, sustentou em relação às suas colônias, como o Brasil e Angola. O investimento de cunho científico no Ultramar se refletiu numa aquisição por instituições portuguesas, ao longo dos séculos de dominação, de exemplares do reino mineral, vegetal e animal, além de objetos etnográficos, testemunhos da rica história dessas regiões.

Até a primeira metade do século XVIII, as remessas e recolhas desses exemplares estavam relacionadas, sobretudo, aos interesses privados da Coroa portuguesa e da nobreza mais esclarecida. Foi mais especificamente a partir de 1780 que as coleções, frutos de recolhas e aquisições, passaram a ser sistematizadas nos Museus de História Natural de acordo com critérios científicos definidos, em grande parte, por naturalistas estrangeiros que chegavam a Portugal para suprir a falta de profissionais formados em escolas portuguesas.

Dentre os naturalistas tratados na exposição, destaca-se o italiano da cidade de Pádua, Domingos Vandelli (1735-1816), que teve importante papel não apenas como docente na cadeira de História Natural em Coimbra, mas também na incorporação de coleções no próprio Museu de História Natural da Universidade de Coimbra.

O impulso cientificista português iniciado na segunda metade do século XVIII se ampliou no século XIX em território brasileiro, com a vinda da família real para o Brasil e a abertura dos portos, que favoreceu a entrada de naturalistas estrangeiros. Foi nesse contexto que ocorreu a criação, através de um decreto de 1818, do Real Museu no Rio de Janeiro.

A criação desse espaço culminou não apenas na intensificação das pesquisas, mas principalmente no estreitamento dos laços entre Brasil e Portugal, na medida em que algumas coleções de Lisboa foram transferidas para o Brasil.

O estudo e a exploração da natureza expandiram-se para o continente africano ao longo do século XIX. Estas expedições com objetivos científicos vão estar presentes na exposição através de herbários do botânico Friedrich Welwitsch em Angola, no ano de 1852, e de parte substancial da coleção do professor Luís Carrisso, recolhida entre 1927 e 1936.

Exposição apresentada inicialmente em Portugal e agora em versão ampliada pelo Museu Afro Brasil, que incorporou objetos valiosos sobre a história de Angola e artistas contemporâneos brasileiros, “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber” propicia reflexões sobre a alteridade, o hibridismo, a dominação e o poder, temas inerentes à História da formação do Brasil.

SERVIÇO

Exposição: “Da Cartografia do Poder aos Itinerários do Saber”, do Museu Afro Brasil.

Abertura: 24 de janeiro, às 19h.

Em exposição até: 23 de abril de 2014.

Local: Oca do Ibirapuera

Tel: (11) 3105-6118 e (11) 5082-1777.

Acesso: Av. Pedro Álvares Cabral – Portão 3.

Museu Afro Brasil - Organização Social de Cultura

Av. Pedro Álvares Cabral, s/n

Parque Ibirapuera - Portão 10

São Paulo / SP - 04094 050

Fone: 55 11 3320-8900

Entrada gratuita

www.museuafrobrasil.org.br

O funcionamento do museu é de terça-feira a domingo, das 10 às 17hs, com permanência até às 18hs.

Na última quinta-feira de cada mês, o horário de funcionamento será estendido até às 21hs, para atendimento noturno ao público visitante.

* Com informações da Assessoria da Secretaria de Estado da Cultura

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