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16/07/2013 - 21h59m

O Homem de Aço perde a altitude mas ainda alcança bons voos

Agência Hoje/Lucas Rigaud 
Divulgação
Cartaz do filme Homem de Aço
Cartaz do filme Homem de Aço

Recife (Agência Hoje/Lucas Rigaud) - De fato, o mundo precisava de uma nova franquia de filmes do Superman. Não só por ser um dos super-heróis mais influentes da cultura pop, mas sua verdadeira importância está em todas as suas histórias. Particularmente, não vejo herói que tenha uma origem tão inteligente e criativa quanto a do Homem de Aço. Pode-se afirmar que o super-herói, criado por Joe Shuster e Jerry Siegel, na década de 30, é uma das primeiras mitologias artísticas do século XX; impossível não estabelecer uma ligação entre o herói e passagens da Bíblia, ou à Odisseia e a Ilíada de Homero. Há quem diga que Superman é a representação de Jesus para a cultura pop, devido às semelhanças entre as histórias e a missão de tornar-se o “Salvador” e principal símbolo que mostre para as pessoas que nada está perdido.

O Homem de Aço (Man of Steel) é um filme que procura mostrar com mais clareza a importância da mitologia do herói da DC Comics, dando ênfase a um verdadeiro porquê de o herói ter sido enviado para Terra e qual seu objetivo para com seu novo povo. A ideia é genial, não se pode negar. Porém, a decisão de desenvolvê-la de forma tão complexa, não poupando detalhes e mais detalhes, talvez não tenha sido uma das melhores. Digamos que o longa-metragem é complexo demais para um primeiro filme, utilizando informações demais, porém em tempo de menos. Em resumo, o que devia ser utilizado nos próximos filmes (uma sequência já fora confirmada) foi encaixado no longa de origem, como um objeto que impede de fechar a mala do carro quando está cheia. Apesar das quedas na tentativa de alcançar altos voos, O Homem de Aço não deixa de ser outro grande filme do Zack Snyder baseado em quadrinhos.

Snyder, que consagrou em filmes baseados em HQs (Watchmen e 300), assume a direção dando o seu melhor. O roteiro foi desenvolvido por Christopher Nolan, cineasta que pode ser considerado o “ressuscitador” do Batman, juntamente com David S. Goyer; a dupla escreve o filme que, primeiramente, se passa em Krypton, onde há uma maior exploração do Planeta natal do Superman nunca feita antes nos cinemas que, apesar do visual “Avatar”, ficou ótima e bem empregada na trama. Na Terra, a vida do Superman (Clark Kent/Kal-El) é muito bem mostrada e nota-se um herói mais humano que o normal, o que pode ser mais entendido no final do filme; direi nada mais que isso, para não divulgar possíveis spoilers.

Talvez, o que me admirou realmente em Homem de Aço foi o elenco que, primeiramente, não levei muita fé; mas, com o desenrolar do filme, todos os atores provaram ser muito competentes para com seus papéis. Tenho que admitir que Henry Cavill conseguiu interpretar um ótimo Superman, sendo, na minha opinião, o segundo melhor ator que interpretou o personagem, ficando atrás do saudoso Christopher Reeve. Michael Shannon está excepcional como o vilão General Zod, sendo maligno, inteligente e vingativo em todos os momentos; Amy Adams fez uma curiosa, simpática e bonita Lois Lane, que participa ativamente da história, não sendo apenas uma mocinha pedindo resgate; Russell Crowe não foi um Jor-El à altura de Marlon Brando, mas não deixou de ser o grande mentor e pai de homem de aço no filme. No final, o resultado das atuações, tanto quanto o desenvolvimento de todos os personagens são aprovadíssimas.

Em 2006, foi lançado o filme Superman O Retorno (Superman Returns), dirigido por Brian Singer, cineasta que “ressuscitou” os X-Men. Sucesso de bilheteria, fracasso de crítica, o filme foi altamente julgado por ter poucas e rápidas cenas de ação. Em Man of Steel, o público pode reclamar do excesso de ação movimentada, com efeitos visuais bonitos, mas extremamente, exagerados (muito já compararam a ação desenfreada com Transformers e Os Vingadores) que, infelizmente, tornam o que deviam ser momentos entusiasmantes em cansativos. Obviamente, é essencial que qualquer filme do gênero tenha seus grandes momentos de ação e efeitos especiais, mas, é preciso favorecer um limite para evitar tamanhos exageros.

Hans Zimmer, grande compositor de trilhas sonoras de filmes, que deu um absoluto show na música da nova franquia de Batman, infelizmente, não consegue criar um tema apropriado para o Superman. Faixas mais lentas do que empolgantes ou épicas não condizem com o ritmo acelerado do filme. A trilha sonora não é ruim, mas deixou a desejar. Nada é mais certo que nenhum compositor irá superar o trabalho realizado por John Williams (este sim o verdadeiro mestre), criador do tema que deixa qualquer um com vontade de voar, para o filme de 1978.

O Homem de Aço não é bem um filme digno do Superman, mas um filme necessário. Após dois bons longas-metragens (1978 e 1980) e outros três completamente dispensáveis, o super-herói merecia, de fato, um mesmo recomeço que fora garantido ao Batman. Com certeza, a nova produção irá agradar alguns fãs, mas poderá também não descer bem para alguns. O público que adora filmes com pancadaria, efeitos visuais e diversão, terá um bom aproveitamento ao assistir o filme que, provavelmente, foi o mais esperado dos últimos anos. Acredito que os próximos filmes aprenderão com as falhas do primeiro, alcançando, assim, maiores altitudes.

O Homem de Aço (Man of Steel)

Direção: Zack Snyder

Produção: Charles Roven, Christopher Nolan, Emma Thomas e Deborah Snyder

Roteiro: Christopher Nolan e David S. Goyer

Trilha sonora: Hans Zimmer

Elenco: Henry Cavill, Russell Crowe, Kevin Costner, Amy Adams, Laurence Fishburne, Michael Shannon, Diane Lane, entre outros.

Nota: 7,5

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