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03/12/2014 - 17h21m

Observatório do Clima quer Brasil com atitude pró-ativa na COP-20

Agência Brasil/Alana Gandra 
Agência Brasil/Arquivo
Coordenador do Observatório do Clima alerta que o desmatamento, principal fonte de diminuição das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa voltou a crescer no Brasil
Coordenador do Observatório do Clima alerta que o desmatamento, principal fonte de diminuição das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa voltou a crescer no Brasil

Rio de Janeiro - O Observatório do Clima, rede brasileira de organizações não governamentais (ONGs) e movimentos sociais que atuam na agenda de mudanças climáticas no país, espera que o Brasil tenha uma atitude menos tímida e mais pró-ativa na 20ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (COP-20).

A COP-20 começou no dia 1º, na capital peruana de Lima se estenderá até o próximo dia 12. O encontro objetiva preparar um novo acordo global para ser assinado na Conferência de Paris, em dezembro de 2015, que possa substituir o Protocolo de Quioto, a partir de 2020.

O coordenador-geral do Observatório do Clima, André Ferretti, disse, nesta quarta-feira (3), à Agência Brasil que a expectativa é que o Brasil assuma na COP-20 um papel de maior protagonismo, “como já fez no passado”. Para o ambientalista, o Brasil está numa posição equivocada de aguardar as propostas de países que tinham compromissos de redução de emissões de carbono, no Protocolo de Quioto, para poder, então, "colocar as cartas na mesa".

“O Brasil tem que ser protagonista, tem que dar exemplo, mostrar que um país como o nosso, com todos os problemas que ainda tem que solucionar nos próximos anos para melhorar a condição de vida da população, pode fazer mais do que já fez. E, com isso, constranger aqueles que são mais ricos e têm melhores condições de fazer algo efetivo", ressaltou Ferreti. Ele acrescentou, que não dá para as autoridades brasileiras continurem na espera de um posicionamento dos países mais desenvolvidos. "Já são 20 anos de discussões e o que a gente precisa é reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa”.

Ferretti avaliou que o Brasil tem esperado demais por uma posição mais firme dos Estados Unidos e da China, em especial. Lembrou que, recentemente, as duas nações se comprometeram a tomar atitudes em relação à redução de emissões, “ainda aquém do que se espera, mas mostram, pelo menos, uma característica de que querem se comprometer mais e estão interessados em contribuir para um acordo global”.

Ele criticou a postura brasileira apresentada até o momento na conferência da ONU. O coordenador do Observatório do Clima salientou que o Brasil defende a ideia que, no próximo acordo global de clima, se mantenha o princípio das responsabilidade comuns, porém de maneira diferenciada. “Ou seja, todos têm que se comprometer, mas de forma diferenciada em função do que já fizeram no passado e que levou ao aumento atual da temperatura. O Brasil está [batendo] muito em uma tecla antiga de atribuir o aquecimento registrado até o momento à responsabilidade de uns poucos países que, desde a revolução industrial, aumentaram muito suas emissões”, disse.

O fato, indicou Ferretti, é que o Brasil está incluído entre os maiores emissores do mundo, embora tenha mostrado avanços nos últimos anos, diminuindo as emissões pela redução do desmatamento. Alertou, entretanto, que as emissões cresceram muito em todos os demais setores. “Nos últimos dois anos, as emissões pelo desmatamento na Amazônia cresceram novamente. O único ganho efetivo que o Brasil tinha comprovado, que é a redução do desmatamento, voltou a subir nos últimos dois anos”.

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