São Paulo, SP, 16/10/2018
 
12/02/2015 - 16h49m

Ocupações artísticas ajudam a preservar a Casa das Caldeiras

Agência Hoje/Sandra Vieira de Mello* 
Divulgação
Casa das Caldeiras
Casa das Caldeiras
  • Casa das Caldeiras
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  • Casa das Caldeiras é palco de diversas atrações culturais e artísticas

São Paulo (Agência Hoje) - Por volta de 1920, em São Paulo, foi construído o parque das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, que produziam sabonetes, álcool, óleo vegetal, vela, além de contar com fundição, oficinas e fabrico de sacarias. Próximo ao ramal ferroviário, numa área com mais de 10 hectares onde é hoje a Avenida Francisco Matarazzo, na Água Branca, ergueu-se a Casa das Caldeiras, com a finalidade de suprir a energia para as fábricas.

A arquitetura da casa das caldeiras reproduz o modelo típico de indústrias inglesas da época. O prédio de alvenaria de tijolos aparentes autoportantes possui janelas metálicas estreitas e altas. O pé direito também é muito alto. No seu interior, abriga três caldeiras, sendo que uma delas ainda possui todos os seus componentes. Três chaminés de alvenaria refratária, com alturas que variam de 46 a 54 metros e diâmetros externos de 2,60 a 4,40 metros, estão preservadas e simbolizam um marco da história da industrialização da cidade de São Paulo.

Abandonado desde a década de 70, em 1986 o prédio da Casa das Caldeiras foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico Arquitetônico e Turístico do Estado de São Paulo - CONDEPHAAT, órgão estadual de preservação. Restaurado em 1999, o edifício e a Casa do Eletricista são os últimos prédios remanescentes do complexo. No entorno, diversos arranha-céus surgem, modificando a paisagem característica do complexo industrial que sobreviveu durante décadas.

Os levantamentos históricos realizados durante o processo de tombamento indicam duas reformas no imóvel e registram a primeira planta, encaminhada à prefeitura municipal em 1923. Em 1936 forma feitas algumas reformas e ampliação de uma chaminé além das duas existentes. No ano de 1953 foi aprovada na prefeitura municipal a construção de uma laje de concreto que criou um andar superior e modificações na altura da cobertura através da instalação de lanternim em uma nova estrutura metálica. Além disso, foram introduzidos elementos vazados nos vão do novo pavimento e construído um anexo para reservatório de água.

A partir de 2005, com a criação da Associação Cultural Casa das Caldeiras (ACCC), começaram a ser desenvolvidos projetos anuais de ocupação artística e cultural, com foco no desenvolvimento humano e na valorização do patrimônio. A casa recebe também o projeto Tododomingo Musical em SP, que promove apresentações musicais e oficinas visando incentivar a musicalização infantil além de diversas atividades como exposição de artistas plásticos, fotografia, performances, improvisação, desenho, narração de histórias, oficinas, tatuagem, cinema, dança, bazares e culinária.

* Sandra Vieira de Mello, CAU A16373-2 é Arquiteta e Urbanista. Contribuições para esta Editoria podem ser encaminhadas para o e-mail: hoje.sandra@gmail.com

Colaboração de Luciana Gandelini

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