São Paulo, SP, 23/04/2014
 
09/09/2013 - 21h32m

Para Dilma, motivo da espionagem norte-americana é econômico. Não de segurança

Agência Brasil/Sabrina Craide 
Agência Brasil/Arquivo/Antônio Cruz
Em nota oficial, Dilma diz que espionagem norte-americana tem interesses econômicos e estratégicos
Em nota oficial, Dilma diz que espionagem norte-americana tem interesses econômicos e estratégicos

Brasília – A presidente Dilma Rousseff divulgou uma nota oficial nesta segunda-feira (9) dizendo que, se forem confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem de dados do Brasil, que agora têm como alvo a Petrobras, não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos. “Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro”, disse.

Reportagem veiculada ontem (8) pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostrou que documentos vazados pelo ex-consultor de informática Edward Snowden indicam que a rede privada de computadores da Petrobras foi monitorada pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA).

“Por isso, o governo brasileiro está empenhado em obter esclarecimentos do governo norte-americano sobre todas as violações eventualmente praticadas, bem como exigir medidas concretas que afastem em definitivo a possibilidades de espionagem ofensiva aos direitos humanos, à nossa soberania e aos nossos interesses econômicos”, diz a nota.

Segundo Dilma, as tentativas de violação e espionagem de dados e informações são incompatíveis com a convivência democrática entre países amigos, sendo manifestamente ilegítimas. “Da nossa parte, tomaremos todas as medidas para proteger o país, o governo e suas empresas”, diz o comunicado.

PETROBRAS DIZ QUE PROTEGE REDE DE COMPUTADORES

Brasília (Agência Brasil/Sabrina Craide) – A Petrobras informou hoje (9) que dispõe de sistemas altamente qualificados e permanentemente atualizados para proteção de sua rede interna de computadores e executa todos os procedimentos reconhecidos para garantir a segurança de seus dados e informações.

“Ataques concorrenciais e [de] outros [tipos] se tornam cada vez mais complexos, o que continuará a exigir da Petrobras investimentos permanentes e significativos em tecnologia de proteção a dados e informações”, disse a empresa, que pode ter sido alvo de espionagem pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA), segundo reportagem divulgada ontem (8) pelo programa Fantástico, da TV Globo.

Em nota oficial, a Petrobras destacou que 90% das mensagens externas de correio recebidas pela empresa são descartadas por apresentarem características potencialmente danosas. “Tais características poderiam ter, eventualmente, possibilitado algum tipo de acesso a dados da Petrobras.”

As informações internas da empresa são classificadas e tratadas com soluções tecnológicas, como criptografia, adequadas aos níveis de proteção associados ao risco de prejuízos para a Petrobras, em caso de eventual vazamento de informação. Segundo a companhia, os trabalhadores são permanentemente alertados para a importância da classificação correta das informações e de seu tratamento.

“Os investimentos da Petrobras em tecnologia da informação e telecomunicações são compatíveis com o seu Plano de Negócios e Gestão e com os das demais empresas de mesmo porte do setor de petróleo no mundo”, diz a nota.

MINISTÉRIO NÃO MUDARÁ CRONOGRAMA DO LEILÃO DO PRÉ-SAL

Brasília (Agência Brasil/Sabrina Craide) - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse hoje (9) que o primeiro leilão do pré-sal, sob o regime de partilha de produção, previsto para o dia 21 de outubro, está mantido, mesmo com as denúncias de espionagem à Petrobras, divulgadas ontem (8) pelo programa Fantástico, da TV Globo.

“Está tudo mantido como foi programado, não cancela o leilão”. Perguntado se há riscos de dados do leilão terem vazado, ele respondeu: “não”. Segundo o ministro, a Petrobras emitirá uma nota ainda hoje sobre o assunto e, do ponto de vista político, o tema está sendo tratado pela Presidência da República e pelo Itamaraty.

A licitação destinará blocos para exploração do Campo de Libra, na Bacia de Santos (SP), que tem potencial de reserva entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris equivalentes de petróleo. A Petrobras terá participação de 30% no consórcio.

Lobão também garantiu que está mantido o cronograma do leilão, que prevê o prazo final para o pagamento da taxa de participação e a entrega de documentos para qualificação das empresas interessadas para a próxima semana. A empresa que vencer o leilão terá que pagar um bônus de assinatura à União de R$ 15 bilhões.

Segundo reportagem veiculada ontem (8) pelo Fantástico, documentos vazados pelo ex-consultor de informática Edward Snowden indicam que a rede privada de computadores da Petrobras foi monitorada pela Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA). A reportagem mostra uma apresentação ultrassecreta, feita pela NSA em maio do ano passado, para treinar novos agentes no passo a passo para acessar e espionar redes internas de empresas, governos e instituições financeiras. De acordo com a reportagem, não é possível saber a extensão do monitoramento, nem se conteúdos da estatal foram acessados.

Em nota ao Fantástico, o diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, James Clapper, informa que a NSA coleta informações econômicas para prevenir crises financeiras que possam afetar os mercados internacionais. Segundo ele, a agência não rouba segredos de empresas estrangeiras que possam beneficiar empresas americanas.

A Petrobras informou, por meio da assessoria de imprensa, que não comentará as denúncias de espionagem pelos Estados Unidos.

Lobão participou na tarde de hoje da cerimônia de sanção da lei que destina recursos dos royalties do pré-sal para a saúde e a educação. O texto é o mesmo aprovado pelo Congresso Nacional, sem vetos, com destinação de 75% dos valores para a educação e 25% para a saúde.

Durante o evento, a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Vic Barros, disse que as denúncias de espionagem que atingiram a Petrobras exigem uma resposta à altura do governo a essa “grave violação a soberania do nosso país”.

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