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28/02/2014 - 14h40m

Parque do Cantão é liberado e mostra natureza exuberante pela primeira vez

Agência Hoje/Edmundo Fortes 
Adtur/Divulgação
Trilha aquática de caiaque no Parque do Cantão, a mais procurada pelos turistas
Trilha aquática de caiaque no Parque do Cantão, a mais procurada pelos turistas
  • Primeiros turistas chegam ao Parque do Cantão para conhecer Delta do Javaés e a natureza exuberante
  • Parque Estadual do Cantão, no Tocantins, tem bioma com 84% de cerrado e 16% de floresta amazônica

Palmas (Agência Hoje/Edmundo Fortes) - A partir de agora, o Parque do Cantão está oficialmente aberto ao público e poderá receber visitas monitoradas de turistas do mundo inteiro. Localizado nos municípios de Caseara e Pium, a 260 quilômetros de Palmas, ele tem 90 mil hectares de belezas excepcionais, com áreas de floresta, cerrado e pantanal.

Nos dois ecossistemas predominantes, a Floresta Amazônica e o Cerrado, o Parque do Cantão concentra uma das maiores variedades de fauna e flora do mundo. São 55 espécies de mamíferos, 453 de aves, 301 de peixes e 63 de répteis. Encontra-se com facilidade animais como onças, ariranhas, pirarucus, harpias e jibóias.

Os visitantes que gostam de aventura poderão circular por sete quilômetros de trilhas de ecoturismo, desfrutando de dois circuitos principais, conhecidos como "Cega Machado" e "Cabana", ou passear de barco no delta formado por rios e pequenos córregos, entre eles o Javaés e o Araguaia.

Os lagos representam outra maravilha do Cantão. Os mais conhecidos são o Lago da Benta, Lago das Três Pernas, Lago do Cega Machado e Lago da Cabana. Há duas trilhas que levam o turista até eles, uma em volta do Lago da Benta, com três quilômetros e meio e a outra passando pelos outros três lagos, com um total de quatro quilômetros. Nas margens, árvores gigantescas e uma flora exuberante.

Impacto Ambiental

A liberação do Parque do Cantão para visitação pública está sendo feita como forma de mostrar um ambiente muito raro no mundo, onde se concentram em uma área relativamente pequena, três ecossistemas diferenciados, com traços fortes da floresta amazônica, do cerrado e do pantanal. Há, porém, uma grande preocupação por parte dos naturalistas.

Embora o Governo do Tocantins tenha garantido a preservação do local e liberado apenas visitas monitoradas, limitando a quantidade de pessoas, membros de entidades internacionais ligadas à preservação do meio ambiente, temem pelo afrouxamento da fiscalização com o passar dos dias. Também reconhecem que a Prefeitura de Caseara, cidade de cinco mil habitantes, não dispõe de recursos materiais e humanos para fazer uma fiscalização eficiente.

Para minimizar o impacto ambiental e monitorar o parque, os moradores e os turistas, foi criado o Projeto PróCantão que será financiado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e o Tropical Forest Conservation, entidade norte-americana interessada na conservação e no uso sustentável das florestas.

Tecnicamente, o projeto consiste na proteção, abertura ao uso público e monitoramento de todo Parque. A execução do trabalho ficará por conta de uma espécie de colegiado tripartite, formado pelo Naturatins, órgão do Governo do Estado e gestor do Parque do Cantão, o Instituto Araguaia e a Associação Onça D"Água.

Os recursos disponibilizados, no entanto, são reduzidos. Segundo informações de assessores do Naturatins, o projeto receberá R$ 611 mil, sendo R$ 328 mil do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade e R$ 283 mil de contrapartida do Governo do Estado. É pouco para cobrir uma área tão grande e tão ecologicamente rica, mas já está ajudando. No ano passado foram realizadas duas oficinas técnicas, preparando moradores locais para o trabalho de guias turísticos.

Durante as aulas eles aprenderam técnicas de planejamento para visitação, escolha de locais para trilhas e redução ao mínimo de impacto ambiental. Agora, está sendo realizada uma oficina para mostrar aos condutores ambientais de Caseara os locais de visitação mais interessantes para os visitantes.

Cuidados Especiais

O Naturatins, órgão responsável pela preservação do Parque, tomou a iniciativa de divulgar uma instrução normativa em junho passado, onde estabelece as diretrizes para uso público das unidades de conservação e proteção do Tocantins, em especial o Parque Estadual do Cantão. Publicada no Diário Oficial de 10 de junho, ela cria regras básicas interessantes.

São permitidas as visitas para lazer e recreação, práticas de esportes de aventura e esportes radicais, turismo de aventura, ecoturismo, educação e interpretação ambiental, pesquisa científica, atividades artísticas de fotografia, filmagem e artes plásticas. Não há áreas proibidas, em princípio os 90 mil hectares do Parque estão liberados para os turistas.

“A atividade de uso público vai trazer benefícios ao Parque e à economia dos municípios vizinhos e está sendo feita de forma ordenada e com monitoramento do número de visitantes e das atividades praticadas”, explicou a diretora de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Naturatins, Nilza Verônica Amaral.

No Cantão, as normas de uso e procedimento orientam que os passeios deverão ser acompanhados por um condutor ambiental e, quando necessário, um assistente ou piloto de embarcação; e estipulam o número máximo de oito pessoas por grupo, sendo dois grupos por vez.

Com o início da atividade e a proximidade da temporada de praias no mês de julho, já se pensou também no atendimento ao turista. Por essa razão, as instituições buscaram parceria com a prefeitura de Caseara para disponibilizar dois funcionários para atender no Centro de Recepção.

O pensamento é aproveitar para fortalecer a economia do município de Caseara e das cidades próximas. “Essa parceria favorecerá na pontuação ao ICMS Ecológico do Município”, justifica a turismóloga Fátima Costa, diretora executiva da Associação Onça D’água. Em teoria tudo está bem explicado, resta saber se na prática o monitoramente vai funcionar, os visitantes se comportarão civilizadamente e se a natureza suportará bem o impacto.

CONHEÇA AS MARAVILHAS DO PARQUE DO CANTÃO

- 3 ecossistemas - Floresta Amazônica, Cerrado e Pantanal

- 55 espécies de mamíferos, 453 de aves, 301 de peixes e 63 de répteis

- Centro do corredor migratório do Araguaia, ligando o Pantanal Matogrossense à Bacia Amazônica

- 900 lagos de grande porte, formados pelos rios Javaés e Araguaia

- 24 ilhas arenosas no rio Araguaia

- Maior floresta inundável do Brasil, formada pela Bacia do Araguaia

- Perto de 80 mil hectares de igapós contínuos

- Nas cheias, os rios, igapós e córregos chegam a profundidade de seis e oito metros

- Velocidades média das águas na época das chuvas é de cinco quilômetros por hora

- Landis e Piranheiras, as árvores mais altas, passando de 20 metros

- "Mata de Turrão" reúne a maior variedade de bromélias e orquídeas do Brasil

- Na época das chuvas é comum chover 2.000mm por mês

- No período da seca o Parque chega a ficar 90 dias sem chuvas

- Três tipos de onças predominam: pintada, suçuarana e vermelha

- Tucunaré é o peixe mais encontrado em lagos e rios, seguido do pirarucu

Tags: Aventura, Parque do Cantão, Tocantins, Turismo

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