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06/01/2015 - 12h38m

Passageiros relatam momentos de tensão durante colisão de trens no Rio de Janeiro

Agência Brasil/Vitor Abdala 

Rio de Janeiro - Sete feridos no acidente de trem ocorrido na noite de segunda-feira (5), na Baixada Fluminense, continuam internados no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Os pacientes estão estáveis e serão submetidos a novos exames. De acordo com o hospital, 158 pacientes deram entrada na unidade com ferimentos da colisão entre dois trens na Estação Juscelino, no município vizinho de Mesquita.

Pâmela de Oliveira, de 24 anos, deu entrada por volta da meia-noite e só deixou o hospital às 9h30 desta terça-feira (6). Ela estava na composição que se chocou com a outra, parada na estação.

“O trem estava lotado e estava tudo escuro. Quando houve a batida, foi uma gritaria sem fim. Bati com a cabeça e apaguei. Quando acordei, minha perna estava presa embaixo do banco e tinha uma mulher protegendo minha cabeça, porque as pessoas estavam pisando umas nas outras”, relata.

José Francisco da Silva, de 30 anos, estava no penúltimo vagão do trem parado na estação antes da colisão. Ele machucou o peito e procurou uma unidade de pronto-atendimento.

“O trem vinha parando de cinco em cinco minutos. Quando chegou à Estação de Juscelino, ficou muito tempo parado. Um rapaz então gritou: 'está vindo outro trem'. Então, veio o impacto e todo mundo caiu um por cima do outro. O pessoal gritou que estava pegando fogo, então pulei pela janela”, conta. Segundo ele, o socorro foi feito inicialmente pelos próprios passageiros e só cerca de 20 minutos depois chegaram as primeiras ambulâncias.

O servente de pedreiro Luiz Cláudio Queiroz, de 49 anos, também tentou fugir do local depois da batida, mas caiu no vão entre o trem e a plataforma. “Eu tentei sair correndo, mas caí do vagão e machuquei meu braço. Um rapaz me puxou e eu saí de lá cheio de dor. No meio do tumulto, vi um monte de gente roubando celulares de outras pessoas”, conta o passageiro que inicialmente foi para casa, mas resolveu buscar o hospital pela manhã, por causa da dor.

Um dos feridos que relatou ter sido roubado foi o aposentado Feliciano Reis, de 70 anos. Com o impacto, ele torceu joelho. O passageiro, que sofre com problemas cardíacos, diz que perdeu a mochila com o celular e três remédios. “As pessoas gritavam. Tinha muita gente ensanguentada e ferida. Era triste ver as pessoas se contorcendo de dor, enquanto outras pulavam as grades [da estação] para roubar”, conta.

A diarista Maria Aparecida Irineu, de 51 anos, que também contou ter visto roubos depois do acidente, espera superar a dor para voltar a trabalhar. “Machuquei minha perna e minha mão. Fui para casa, porque estava nervosa, mas hoje voltei para procurar atendimento aqui no hospital. O médico disse que foi só luxação. Vou tentar trabalhar”, disse.

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