São Paulo, SP, 22/09/2019
 
04/11/2015 - 13h42m

Pílula usada para o tratamento do câncer divide especialistas

Portal EBC 
Reprodução
A chamada "pílula anticâncer" é uma substância experimental e não tem registro na Anvisa
A chamada "pílula anticâncer" é uma substância experimental e não tem registro na Anvisa

Brasília - A Mesa Redonda, do programa Revista Brasil discutiu a polêmica a respeito do composto fosfoetanolamina, a chamada “pílula anticâncer”. Ela é uma substância experimental, produzida em São Carlos (SP) e chegou a ser entregue gratuitamente no campus da Universidade de São Paulo (USP).

O composto não tem registro na Anvisa e seus efeitos nos pacientes são desconhecidos. Tampouco se sabe qual seria a dosagem adequada para tratamento. Relatos de cura com o uso dessa substância não são cientificamente considerados prova de eficácia, já que os pesquisadores fizeram as etapas experimentais, mas ainda faltam os testes clínicos.

No Rio de Janeiro, Marco Aurélio, âncora do programa Todas as Vozes, recebeu o oncologista da clínica Oncomed Oncologia, Victor Marcondes. Em Brasília, o apresentador do Revista Brasil, Valter Lima, convidou o médico e pesquisador e um dos integrantes do grupo detentor da patente da substância fosfoetanolamina, Renato Menenguelo.

Victor Marcondes explicou quais as etapas devem ser percorridas até que o medicamento seja liberado, quais compostos químicos utilizados na fórmula. Ele também explicou sobre os relatos de cura.

“O fato de haver um relato de memória, até mesmo de regressão desses tumores, não indica para a gente que essa substância tenha uma ação estabelecida, reproduzida em diversas situações e indicações em algum tipo de câncer que esteja sendo estudada”.

E esclareceu, ainda: “Através destas pesquisas clínicas é que nós conseguimos ter a certeza que é um medicamento eficaz e que vale a pena que se gaste dinheiro com medicamento e que distribua para as pessoas”.

Já o médico Renato Menenguelo ressaltou sobre a não regulamentação do medicamento e sobre a necessidade de ser regulamentado. Quando perguntado a respeito do grupo de trabalho que será indicado pelo Ministério da Saúde, Menenguelo afirmou que acha muito bom e disse: “Até então, a gente não tinha nada, a gente não tinha ajuda, nem o auxílio da mídia, só a nossa ideia e alguns pacientes tomando e melhorando”.

Renato explicou que as etapas experimentais da pesquisa foram tranquilas. Porém, a parte clínica é muito complicada. Ele contou que não sabe se o medicamento cura o câncer, mas tem vários relatos de melhora.

“Existem relatos que, mesmo com as metástases, todos os tumores do paciente desaparecem. Teoricamente está curado, mas, se vai permanecer curado, só o futuro vai poder dizer,” completa.

Meneguelo concluiu a conversa falando que a expectativa é que o composto seja validado.

“Nós, os pesquisadores, tanto quanto a classe científica médica, queremos os testes clínicos para validar ou não o composto. O pensamento e a vontade dos pesquisadores é que, se for validado, o composto seja distribuído gratuitamente pelo SUS”.

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