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25/08/2013 - 10h05m

Pixinguinha: um dos maiores gênios da nossa música popular

Livro 100 Brasileiros 
Biblioteca Nacional
Pixinguinha (1897-1973) sempre esteve à frente dos demais e escreveu mais de duas mil músicas
Pixinguinha (1897-1973) sempre esteve à frente dos demais e escreveu mais de duas mil músicas

Flautista virtuoso, compositor genial, Pixinguinha criou as bases da música brasileira, misturando o estilo de Ernesto Nazareh, Chiquinha Gonzaga e dos primeiros chorões com ritmos africanos, europeus e a música negra americana. Como arranjador, na orquestra da gravadora Victor, em 1929, incorporou elementos brasileiros a um meio dominado por técnicas estrangeiras, mudando a forma de orquestrar e arranjar. Era profissional, quando a maioria dos músicos importantes no Brasil era de amadores. Foi um pesquisador, sempre preocupado em inovar a música brasileira.

Com cerca de duas mil músicas, foi um dos mais férteis compositores da MPB. Menino-prodígio, Alfredo da Rocha Vianna tocava cavaquinho e flauta aos 12 anos, quando compôs o choro Lata de Leite, inspirado nos chorões, músicos boêmios que, depois de noitadas, tomavam o leite alheio, que ficava nas portas das casas. Aos 18, gravou Rosa e Sofres Porque Queres. Décimo-quarto filho de uma família musical, ainda novo começou a acompanhar seu pai, flautista, em bailes e festas, tocando cavaquinho. A avó Edwiges, africana de nascimento, aprovava a conduta do neto com uma expressão carinhosa, Pizindin (menino bom).

A molecada da vizinhança preferia chamá-lo de Bexiguinha, referência às marcas que a varíola deixara no rosto do menino. Com o tempo, Pizindin e Bexiguinha se misturaram, originando o Pixinguinha. Em 1922, teve a experiência que transformaria decisivamente a sua trajetória: viajou à Europa com o grupo Os Oito Batutas, para divulgar a música brasileira. Nos seis meses que passou em Paris, travou contato com a moderna música européia e o jazz americano.

Os conjuntos liderados por Pixinguinha, a Orquestra Típica Pixinguinha-Donga, Os Diabos do Céu, a Guarda Velha e a Orquestra Columbia de Pixinguinha, tiveram grande importância na indústria fonográfica brasileira. A famosa, Carinhoso foi composta em 1917 e gravada pela primeira vez em 1928, só com instrumentos - João de Barro escreveu a letra em 1937, para a gravação de Orlando Silva. Nos anos 30 e 40, gravou com flauta e saxofone peças-base do repertório de choro, como Segura Ele, Ainda Me Recordo, Naquele Tempo e Abraçando Jacaré.

Em 1940, indicado por Villa-Lobos, selecionou os músicos populares para a célebre gravação do maestro Leopold Stokowski, que divulgou a música brasileira nos Estados Unidos. Não parou de compor nem mesmo quando teve o primeiro enfarte, em 1964. Por tudo isso, Pixinguinha merece ser exaltado como um dos maiores gênios que a Música Popular Brasileira já teve.

 

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