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30/05/2012 - 17h44m

Promotoria investiga desvio e contratos com empresas fantasmas

Folhapress/Marcelo Villa 

CAMPINAS, SP (Folhapress) - A Ministério Público quer explicações da Câmara de Campinas (93 km de SP) sobre contratos firmados com supostas empresas fantasmas. As fraudes teriam causado o desvio de pelo menos R$ 8,3 milhões nos últimos três anos.

O promotor Marcos Grella, da Promotoria do Patrimônio Público, encaminhou ontem ao presidente do Legislativo, Tiago Ferrari (PTB), questionamentos e pedidos de cópias de todos os contratos sob suspeita. A Câmara tem 30 dias para responder.

Um relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), setor do Ministério Público que investiga o crime organizado, aponta indícios de irregularidades nas contratações de fornecedores e prestadores de serviços feitas pelo Legislativo.

O caso veio à tona no final de março, quando dois altos funcionários da Câmara foram afastados dos cargos. Desde então, o chefe de compras, Carlos Eduardo Guida Gaspar, e o chefe de contabilidade, Adilson Dutra Barbosa, respondem a uma sindicância que é realizada sob sigilo.

Os funcionários de carreira assinaram todos os contratos sob investigação. Materiais de limpeza, pagamentos para pequenas obras de engenharia e aquisição de material de escritório, entre outros serviços, foram negociados com pelo menos cinco empresas que têm donos com os mesmos sobrenomes.

Entre essas empresas, a Renata AP Girardi Floriano Manutenção Predial e a VA Mancini Comércio de Papelaria ME têm como proprietários empresários que são sócios de Dutra e Gaspar em um empreendimento imobiliário.

Outro fato que chamou a atenção do Gaeco é que as empresas fornecedoras têm como sedes endereços residenciais, o que levantou a suspeita de serem negócios de fachada. "O relatório do nosso setor inteligência está pronto e será encaminhado à Promotoria do Patrimônio Público para colaborar com as investigações", disse o promotor Ricardo Schade.

Segundo ele, por enquanto não há indícios de formação de quadrilha, o que impede o Gaeco de atuar no caso. "Mesmo assim, vou pedir abertura de inquérito policial para apurar se houve descumprimento da Lei de Licitações".

OUTRO LADO

Quando foram afastados, Dutra e Gaspar negaram irregularidades. Até a tarde desta quarta, os funcionários não responderam os recados deixados pela reportagem. A sindicância da Câmara tem prazo até 29 de junho para ser concluída.

Por meio de assessoria de imprensa, o presidente da Casa afirmou que vai encaminhar ao Ministério Público todos os documentos solicitados pela Promotoria do Patrimônio.

Procuradas, as empresas investigadas não comentam o caso.

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