São Paulo, SP, 19/09/2019
 
02/08/2016 - 14h21m

Queiroz Galvão pagou R$ 10 milhões a alto escalão da Petrobras

Agência Brasil/Felipe Pontes 
Agência Brasil/Arquivo
Agentes da Polícia Federal recolheram documentos em escritórios da Construtora Queiroz Galvão
Agentes da Polícia Federal recolheram documentos em escritórios da Construtora Queiroz Galvão

Brasília - A força-tarefa da Operação Lava Jato informou nesta terça-feira (2) que colheu provas documentais de que a construtora Queiroz Galvão destinou ao menos R$ 10 milhões em pagamentos ilegais para funcionários de alto escalão das diretorias de Serviços e Abastecimento da Petrobras entre 2010 e 2013, com o objetivo de firmar contratos e obter vantagens indevidas junto à petroleira estatal.

A cifra total de repasses ilegais a funcionários da estatal e a partidos políticos, contudo, pode ser muito maior, de acordo com a Polícia Federal.

O doleiro Alberto Yousseff revelou aos investigadores ter tido acesso a um balanço do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em que constava uma dívida de R$ 37 milhões ligada à construtora Queiroz Galvão.

Um outro balanço contábil relacionado a propinas, dessa vez encontrado em um aparelho pessoal do ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, também lista movimentações da empreiteira com envolvidos no esquema ao longo dos anos que chegam a R$ 24 milhões, segundo a PF.

Os integrantes da força-tarefa afirmaram que a atuação ilegal da Queiroz Galvão envolveu todas as modalidades de contravenções investigadas no âmbito da Lava Jato.

“A Queiroz tem uma peculiaridade, ela representa todos os pecados, todas as espécies de crimes que nós verificamos na Operação Lava Jato”, disse o procurador da República Carlos Fernando dos Santos Lima, em Curitiba, em entrevista sobre a 33ª Operação da Lava Jato, deflagrada nesta terça-feira.

Além do repasse direto de propina a funcionários da estatal, a empreiteira repassou dinheiro a políticos e partidos por meio de caixa 2 de campanha e utilizou ainda doações legais de campanha como meio de pagamento de vantagens indevidas a partidos, informou a força-tarefa.

Segundo as investigações, ao menos R$ 7,5 milhões em doações legais de campanha se tratavam, na verdade, de vantagens indevidas em troca de contratos com a Petrobras.

Os principais partidos envolvidos no esquema ao longo dos anos foram PP, PT e PSDB. Ao menos três parlamentares foram beneficiados indevidamente, segundo o MPF, que não divulgou nomes. Há indícios de que R$ 2,4 milhões tenham sido destinados à campanha de reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A assessoria de imprensa do PT, em Brasília, informou que o partido ainda não se manifestou sobre o assunto.

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