Rede Zika comprova casos de microcefalia relacionados ao vírus - Hoje São Paulo
São Paulo, SP, 21/08/2018
 
18/05/2016 - 11h10m

Rede Zika comprova casos de microcefalia relacionados ao vírus

Portal EBC 
Agência Brasil
Até agora já foram confirmados 1.326 bebês com microcefalia no Brasil desde o ano passado
Até agora já foram confirmados 1.326 bebês com microcefalia no Brasil desde o ano passado

Brasília - Segundo o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, foram confirmados 1.326 casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita em todo o país. Os casos confirmados ocorreram em 484 municípios, localizados em 25 unidades da federação.

Não existe registro de confirmação apenas nos estados do Acre e de Santa Catarina. Desses casos, 205 tiveram confirmação por critério laboratorial específico para o vírus zika, além de 56 óbitos confirmados por microcefalia.

Essa epidemia assustou o Brasil, e instituições se uniram para estudar o vírus zika e tentar encontrar uma solução para o problema.

A Rede Zika, como vem sendo chamada a força-tarefa, envolve 42 laboratórios que estão trabalhando para compreender melhor o vírus, tornando possível aperfeiçoar o diagnóstico e desenvolver terapias e vacinas.

Em entrevista, o professor-assistente do Departamento de Imunologia da Universidade de São Paulo (USP), Jean Pierre Schatzmann Peron, falou sobre um estudo da Rede Zika que comprovou a relação causal entre o vírus zika e a microcefalia.

“Começamos fazendo a infecção in vitro, nos minicérebros, que são os organoides, ou seja, estruturas que mimetizam um sistema nervoso em desenvolvimento, no primeiro trimestre de gestação. Sabíamos que a infecção acontecia nesse período, em uma grande quantidade das mulheres que se infectavam e que tinham bebês com microcefalia. Utilizamos também uma linhagem de camundongos fêmeas prenhes, infectadas entre o 10° e o 12° dia de gestação", explicou o professor.

"A gestação foi continuada e no nascimento foram realizadas análises dos filhotes, como comprometimento de crânio, tamanho, largura e peso, e ficamos surpresos pois, uma linhagem, apresentou uma redução significativa em todos esses quesitos, e percebemos que tinha havido a passagem do vírus pela placenta até o tecido fetal. É interessante salientar que muitos bebês também tem um peso e medidas reduzidas, então são dados que vão ao encontro da ideia de que o vírus não causa apenas microcefalia, mas também uma restrição de crescimento intrauterino”, completou.

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