Rua 25 de Março, lugar certo para comprar mais barato e revender - Hoje São Paulo
São Paulo, SP, 19/08/2018
 
01/12/2013 - 15h23m

Rua 25 de Março, lugar certo para comprar mais barato e revender

Agência Hoje 
Agência Brasil/Arquivo
Movimento na 25 de Março aumenta para 1 milhão de pessoas por dia no final do ano, todos interessados em boas ofertas
Movimento na 25 de Março aumenta para 1 milhão de pessoas por dia no final do ano, todos interessados em boas ofertas

São Paulo (Agência Hoje) - A rua 25 de Março, no centro de São Paulo, continua sendo o melhor lugar para quem quer comprar artigos populares a preços baixos e revendê-los depois, com lucro certo de 30%, 40% e até 50%. As boas oportunidades estão nas lojas tradicionais, onde além das novidades, existem marcas de qualidade e facilidade de pagamento, com desconto à vista ou parcelamento no cartão de crédito.

Com 2.500 metros de extensão e cerca de 350 lojas legalizadas, a 25 de Março é o centro de uma região comercial que se popularizou no Brasil. Considerando a área disponível formada pela própria rua e calçadas, são 30 mil metros quadrados de pontos de venda, por onde passam 400 mil pessoas todos os dias. Na época de Natal, esse número sobe para 1 milhão.

Os camelôs, legalizados ou não, dividem espaço com os pedestres. Lojistas calculam que existam perto de 3.200 barracas, vendendo 500 diferentes produtos, a maioria importados da China, com preços entre R$ 5 e R$ 30. É nas lojas, porém, que fica o movimento maior e os grandes lançamentos das fábricas.

Os comerciantes evitam falar em números, mas alguns revelam que a média de vendas é de R$ 450 por cliente, passando para R$ 600 na época do Natal. Nas segundas, quartas, quintas e sextas, a maioria dos compradores vem do Estado de São Paulo, formados por 22% da classe A, 35% da classe B, 28% da classe C e 17% da classe D. Na terça-feira aumenta o movimento, é o Dia dos Sacoleiros, quando chega gente de todo Brasil para comprar no atacado e abastecer suas lojas.

No sábado, mais movimento ainda. Junta os compradores habituais de São Paulo, os compradores dos outros Estados do Centro Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, uma legião de turistas que vem por curiosidade e uma leva de sacoleiros de cidades do interior paulista, de Minas, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Negócios para Todos

Toda essa gente movimenta em torno de R$ 20 bilhões por ano, na 25 de Março e nas 17 ruas que ficam nas proximidades e oferecem todos os tipos de artigos populares. Os mais vendidos são os armarinhos, brinquedos, papelaria, bijuterias, acessórios, enfeites, decoração e os artigos de época - dia das mães, páscoa, são joão e natal.

Os preços podem variar entre R$ 1 para um brinquedinho chinês, até R$ 12 mil para um tapete persa legítimo. O comércio pode ser popular, mas a soma do movimento supera em mais de 100% os grandes e luxuosos shoppings da capital paulista. O comprador típico da 25 de Março gasta pelo menos 60% a mais do que o comprador de shopping.

A média de compra dos sacoleiros também é maior do que em outros centros de comércio popular, chegando a R$ 2.800 por pessoa e fazendo a festa das lojas, onde trabalham 60 mil empregados com carteira assinada. Em 39 estacionamentos legalizados, param ônibus, vans, automóveis e motocicletas de centenas de pessoas que vivem em função do movimento comercial da região.

As lojas também se modernizaram, contrataram profissionais que estudam as preferências dos clientes e se esforçam para oferecer um atendimento mais pessoal. É quase impossível por causa do movimento, mas eles continuam tentando.

Também existem os clientes preferenciais. De Recife, por exemplo, todas as semanas uma grande loja de artigos populares enche duas carretas com 60 toneladas de produtos para abastecer seus clientes. Há outros grandes compradores, de Belo Horizonte, Goiânia, Aracaju, Fortaleza, uma infinidade de cidades.

Comprar na 25 de Março para revender depois é um negócio rentável, mas exige cautela. De início, escolher com cuidado as mercadorias que são bem aceitas na região. Experiente, um comerciante de Minas, lembra que um produto que vende bem em Goiás, pode não ser bem aceito na Bahia - e vice-versa. "Na 25 tem de tudo, mas é preciso saber comprar. Olhar preço, qualidade, nota fiscal, transporte, despesas, tudo", ensina Edson Monteiro dos Santos, de Palmas, no Tocantins.

História da Rua

Poucos sabem, mas no lugar onde hoje está a 25 de Março passava um rio e nas duas margens havia um movimentado centro comercial, chamado Porto Geral do Comércio. O lugar também era conhecido como a sétima curva do rio Tamanduateí, próximo do rio Anhangabaú, ambos afluentes do Tietê, e causadores de grandes enchentes na região. Primeiro o rio foi desviado, depois canalizado e por fim coberto de placas de concreto e transformado em rua.

A Ladeira Porto Geral, travessa que liga a rua Boa Vista à 25 de Março, e que chegou a ganhar o apelido de "Lá Vai Mais Um", por causa das frequentes quedas dos transeuntes, é uma lembrança histórica dessa época. A própria rua 25 de Março, no nascimento recebeu o nome de Rua de Baixo e só mudou no dia 25 de março de 1824, numa homenagem à primeira constituição brasileira.

A primeira loja inaugurada na rua foi a Doural, em 1905, até hoje em funcionamento. Tem 150 funcionários, é moderna, tem o clube do cliente, o blog da doural, vende mais de 1.500 produtos diferentes e seus proprietários tiram proveito dos recursos da tecnologia de ponta, atendendo pedidos pela internet (www.doural.com.br).

O livro Mascates e Sacoleiros, do economista e mestre em Administração Lineu Francisco de Oliveira, conta os detalhes da rua. De leitura agradável, a obra chama a atenção para aspectos curiosos, como a idade real da rua, hoje com 148 anos, bem mais do que as pessoas pensavam. A base de cálculo foi o primeiro registro oficial de imóvel, feito em 1865.

Naquela época a 25 de Março já demonstrava sua vocação para o comércio. De Porto movimentado, virou rua e de rua se transformou no maior centro de compras do Brasil. Lugar aberto para todos, recebe desde o mais simples sacoleiro, às madames que circulam cercadas por guarda-costas, pechincham como todos os outros mortais, compram e se divertem.

--- Lindo! Comprou em Paris?

--- Nem lembro, talvez...

SERVIÇO

Rua 25 de Março

Centro de Comércio Popular de São Paulo

- 350 lojas, mais de 3.200 camelôs

- Entorno tem 17 ruas, com 1.400 lojas

- 39 estacionamentos

- Maior movimento - 3ª Feira (Dia dos Sacoleiros) e Sábado

- Apoio - Lanchonetes, Restaurantes e Mercado Municipal

- Transporte - Ônibus e Metrô (Estação São Bento)

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