São Paulo, SP, 18/06/2019
 
02/03/2016 - 12h24m

Sensor pode detectar câncer de mama antes de formação de tumor

Portal EBC 
Divulgação/Unicamp
Sensor é capaz de identificar precocemente o câncer de mama
Sensor é capaz de identificar precocemente o câncer de mama

Brasília - De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), depois do câncer de pele, não melanoma, o câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano. Estatísticas indicam aumento da sua incidência tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. O Instituto estima 57.960 novos casos, no ano de 2016.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura, durante o tratamento.

Em entrevista ao programa Amazônia Brasileira, a professora e pesquisadora do Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno e Nanomateriais (MackGraphe) e colaboradora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Cecília de Carvalho Castro e Silva, falou sobre o dispositivo criado por ela em parceria com outro pesquisador, capaz de identificar, precocemente, o câncer de mama.

Em parceria com o pesquisador e professor Lauro Tatsuo Kubota, Cecília de Carvalho criou um dispositivo altamente sensível, do tamanho de uma moeda de cinquenta centavos, com 64 sensores integrados, capaz de identificar precocemente o câncer de mama.

Segundo a pesquisadora, o dispositivo ou sensor monitora uma proteína, chamada de HER2 (Human Epidermal Growth Factor Receptor 2, na sigla em inglês), que, em quantidades anormais, se expressa em 25% a 30% dos casos de câncer de mama, tornando-se desta forma, um importante biomarcador para o câncer mamário:

“Quando uma pessoa inicia um processo de desenvolvimento de uma doença, a presença dessa proteína ou biomarcador é aumentada no sangue humano e esse dispositivo consegue detectar a proteína, 6 meses antes do tumor ter sido formado. Os estudos mostraram que o aumento da concentração da proteína está relacionado com a formação do tumor.”

A professora explica que o dispositivo poderá ser usado para diversos casos: “Se conseguirmos detectar a proteína em uma concentração baixa, conseguiremos indicar esse dispositivo para mulheres que tem histórico de câncer de mama na família e para mulheres que estão fazendo tratamento, para acompanhar a eficácia da quimioterapia, pois durante o tratamento, se a concentração de proteína diminuir, indica que o tratamento está sendo efetivo”, explica Cecília de Carvalho.

O dispositivo está em fase 2, envolvendo amostras reais, para que se possa colocar o dispositivo no mercado. De acordo com a professora, esse ano, com uma parceria com o hospital da saúde da mulher, será possível fazer por meio de voluntárias, consideradas HER2 positivas, testes diretamente com o sangue bruto delas, com apenas uma gota de sangue, como em um exame para medir o nível de glicose no sangue.

Nos métodos tradicionais utilizam-se o exame do toque da mama e a mamografia. No exame do toque, a mulher só consegue identificar o câncer quando o nódulo já está com um centímetro ou mais. Na mamografia é possível detectar nódulos de até quatro milímetros. Nestes casos o câncer já está instalado e, muitas vezes, pode ser tarde. Devido a isso, esse biomarcador será muito importante, pois poderá detectar, em alguns casos, o câncer de mama, antes da formação do nódulo.

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