Suspeitos de matar 7 pessoas na chacina de Goiás são liberados por falta de provas - Hoje São Paulo
São Paulo, SP, 17/08/2018
 
26/05/2012 - 13h42m

Suspeitos de matar 7 pessoas na chacina de Goiás são liberados por falta de provas

Folhapress/Daniel Gondim 
PMCB/Divulgação
Bombeiros da cidade de Iporá (GO) foram os primeiros a chegar ao local da chacina em Doverlandia, em Goiás
Bombeiros da cidade de Iporá (GO) foram os primeiros a chegar ao local da chacina em Doverlandia, em Goiás

PMCB/Divulgação

Bombeiros da cidade de Iporá (GO) foram os primeiros a chegar ao local da chacina em Doverlandia, em Goiás

GOIÂNIA, GO (Folhapress) - Três homens que estavam presos há quase um mês por suspeita de participação na morte, por degolamento, de sete pessoas em Doverlândia (GO), foram liberados ontem (25) por falta de provas.

Com isso, nenhum suspeito de envolvimento na chacina permanece preso, já que Aparecido Souza Alves, o homem que confessara os crimes, morreu no último dia 8 na queda de helicóptero da Polícia Civil de Goiás, acidente que também deixou cinco delegados e dois peritos mortos.

João Batista da Silva, 51, Célio Júnior da Costa Silva, 32, e Alcides Batista Barros, 60, estavam presos em Goiânia desde o início do mês.

Os três deixaram a prisão após o juiz João Geraldo Machado, titular do Juizado Especial Cível e Criminal de Iporá (GO), analisar pedido de revisão da prisão feito pela defesa dos suspeitos.

"O juiz me pediu um resumo do inquérito e, baseado nisso, concluiu que não havia nenhum indício da participação deles no crime", disse o delegado responsável pelo caso, Ronaldo Pinto Leite.

João Batista se emocionou ao sair da DIH (Delegacia de Investigação de Homicídios). "É a coisa mais triste a gente estar preso por algo que a gente não fez. Mas a justiça foi feita e eu só quero voltar para minha casa", disse o homem, que é pastor em um assentamento em Doverlândia.

Já Alcides, futuro sogro de uma das vítimas, havia sido apontado pelo assassino confesso como mandante, versão desmentida mais tarde pelo próprio Aparecido. Ele também se disse aliviado e, em poucas palavras, expressou a alegria pela libertação. "A justiça do homem é falha, mas a justiça de Deus não é. Agora só quero voltar à minha vida normal", afirmou o comerciante.

Célio, sobrinho de uma das vítimas, saiu sem conceder entrevista. Seu advogado, Tiago Oliveira, disse que ele deverá voltar a Uberlândia (MG). "Vamos aguardar o desfecho do inquérito, mas posso adiantar que ele vai voltar para casa e passar por um acompanhamento psicológico. Depois vamos pedir indenização para reparar todo o dano que ele [Célio] sofreu", afirmou.

SAIBA MAIS

O crime ocorreu em dia 28 de abril. De acordo a Polícia Civil, Aparecido confessou o crime em depoimento e indicou a participação dos três homens que estavam detidos.

"Quando ele [Aparecido] confessou o crime, contou uma história e deu o nome dos três, mas não encontramos nada que mostrasse a participação de nenhum deles", disse o delegado Ronaldo Leite.

No início do mês, a Polícia Civil levou Aparecido de volta à Doverlândia para a reconstituição do crime. No retorno a Goiânia, o helicóptero que transportava o suspeito e mais sete pessoas caiu, matando todos os ocupantes.

A investigação, contudo, ainda está aberta, mesmo com a morte do assassino confesso e a liberação dos três suspeitos. "Só descartamos a participação dos três por enquanto", disse o delegado.

A Polícia Civil ainda remonta o inquérito do caso, que estava no helicóptero e foi destruído. "Pode ser que ele [Aparecido] tenha feito tudo sozinho, mas é difícil falar. Ainda temos que refazer alguns testes e reanalisar as provas", afirmou Ronaldo Leite.

 

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