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21/08/2014 - 14h58m

Toca Raul! Conheça trajetória do pioneiro do Rock no Brasil

Agência Hoje/Isabela Guiaro 
Reprodução
Entre os maiores sucessos de Raul estão
Entre os maiores sucessos de Raul estão "Metarmofose Ambulante", "Mosca na Sopa" e "Al Capone

São Paulo - Raul Santos Seixas, nascido em 28 de junho de 1945 em Salvador, é considerado um dos pioneiros do rock no Brasil. Ouvia músicas que causavam estranhamento para a maioria das pessoas, pois no país ainda havia uma grande resistência ao estilo de Elvis Presley, por exemplo. Nessa época, também queria ser escritor como Jorge Amado.

Na metade da década de 60, enquanto todos ouviam Luiz Gonzaga, Raul tocava seu ainda incompreendido rock junto com a banda Os Panteras. Eles foram ao Rio de Janeiro e, com apoio da gravadora EMI, lançaram seu primeiro e único álbum, “Raulzito e Os Panteras”, em 1968, porém foi um fracasso. Enquanto isso, casa-se com Edith Wisner, filha de um pastor americano.

De volta a Salvador, torna-se produtor musical pela CBS Bahia. Assim, Raulzito, como era chamado, faz grandes parcerias com jovens músicos, como Leno, da dupla Leno e Lilian, e Mauro Motta. Suas próprias letras passaram a ser gravadas por artistas da própria gravadora e em 1969 lançou a música “Tudo Que É Bom Dura Pouco”.

É demitido por gravar músicas escondidas e em 1972 resolve participar do Festival Internacional da Canção. Lá, apresenta "Let Me Sing, Let Me Sing", cantada por ele mesmo, e "Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo", por Lena Rios & Os Lobos. As duas chegam à final, recebendo boas criticas e aceitação do público. Com isso, Raul foi contratado pela gravadora Philips.

No ano seguinte, Raul lança o álbum “Krig-ha, Bandolo!”, acompanhado de sucessos como “Ouro de Tolo”, debochando da Ditadura e do “Milagre Econômico”, “Metarmofose Ambulante”, “Mosca na Sopa” e “Al Capone”. A partir de então, ele se tornava um grande ícone da música brasileira. Ainda no mesmo ano, lançou o disco “Os 24 Maiores Sucessos da Era do Rock”, mas a gravadora o creditou a uma banda chamada Rock Generation para não prejudicar as vendas do álbum anterior.

Iniciou sua parceria com Paulo Coelho em 1974, com o álbum “Sociedade Alternativa”, baseado nas mensagens do bruxo inglês Aleister Crowley, autor do Livro da Lei, e da ordem filosófica da Lei de Thelma. A promoção dessa nova sociedade causou problemas com a censura da Ditadura e os dois foram presos pelo DOPS. Depois de torturados, foram exilados para os Estados Unidos, porém o sucesso de seu novo disco, “Gita”, fez com que fosse trazido de volta ao Brasil.

Em 1975 lança o LP “Novo Aeon”, mas, mesmo com o grande sucesso “Tente Outra Vez”, não vendeu muito. Raul grava, então, “Há Dez Mil Anos Atrás” em 1976, superando o fracasso anterior. Já no ano seguinte, o disco “O Dia Em Que a Terra Parou”, embora criticado, rendeu grandes canções como “Maluco Beleza” e “Sapato 36”.

Devido a problemas de saúde causados pelo alcoolismo, Raul passa alguns meses em uma fazenda na Bahia para se recuperar da pancreatite. Quando retorna, em 1978, lança o LP “Mata Virgem”, o último em parceria com Paulo Coelho. Em 1979, o disco “Por Quem os Sinos Dobram” é gravado. Ambos foram mal recebidos.

Em 1980 grava o álbum “Abre-te Sésamo”, cujas faixas "Rock das Aranha" e "Aluga-se" foram censuradas e, com isso, o contrato com a gravadora é rescindido. No ano seguinte, é linchado pela plateia em Caieiras, São Paulo, por se apresentar bêbado. Já em 1983 é convidado para cantar "Carimbador Maluco" no especial infantil Plunct, Plact, Zuuum da Rede Globo e ganha outro contrato com o Estúdio Eldorado, lançando “Raul Seixas” no mesmo ano e “Metrô Linha 743” em 1984, pela Som Livre. Teve contratos encerrados novamente devido ao alcoolismo.

Após dificuldades causadas pela bebida, lança o álbum “Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum!”, bastante aclamado pelo público, o levando a programas como Fantástico. Grava seu último álbum, “A Pedra de Gênesis” em 1989 e fez alguns concertos em pareceria com Marcelo Nova.

No dia 21 de agosto de 1989, Raul é encontrado morto em sua cama, em São Paulo. A causa foi parada cardíaca e pancreatite aguda fulminante, pois além de ser alcoólatra, era diabético, e não havia tomado insulina na noite anterior. Seu álbum em parceria com Marcelo Nova foi lançado no dia seguinte e lhe rendeu postumamente um disco de ouro.

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