USP volta a ter navio com tecnologia para pesquisa em alto mar - Hoje São Paulo
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30/05/2012 - 17h56m

USP volta a ter navio com tecnologia para pesquisa em alto mar

Folhapress/Giuliana Miranda, Enviada Especial 

SANTOS, SP (Folhapress) - Após quatro anos, a pesquisa oceanográfica de São Paulo volta a ter um navio para chamar de seu. Batizado de Alpha Crucis -a estrela da constelação do Cruzeiro do Sul que representa o Estado na bandeira do Brasil-- ele foi apresentado com festa hoje no porto de Santos.

O navio foi comprado em uma ação conjunta da USP e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) em 2010 e levou 15 meses até ser reformado e equipado com tecnologia de ponta para estudos que vão desde biodiversidade até climatologia. Todo o processo custou US$ 11 milhões.

Com 65 metros de comprimento, 11 metros de de largura e média de 50 dias de autonomia em alto-mar, a embarcação é a retomada em grande estilo das pesquisas paulistas nos oceanos, interrompidas com a aposentadoria do navio Professor W. Besnard em 2008.

Mesmo antes de encerrar suas operações, o Besnard, já oferecia limitações. Por questões de segurança, não podia além de 370 km da costa. O que, na prática, representa apenas a "beiradinha" do mar e, por conseguinte, limitava muito as pesquisas.

Os pesquisadores responsáveis, porém, prometem que os dias de limitações científicas ficaram para trás.

"É uma nova era para as pesquisas. Os equipamentos estão novinhos, tudo perfeito", disse Luiz Vianna Nonato, do Instituto de Oceanografia da USP, que chefiou a missão científica de 45 dias que trouxe o navio de Seattle.

O navio tem sistema de estabilização que permite que ele fique parado ou siga uma linha reta sem interrupções, além de hélices na proa e na popa. Isso é particularmente útil em estudos que requerem obedecer uma rota extremamente precisa.

Além disso, o navio tem ainda scanners e outros equipamentos que possibilitam uma varredura do fundo do mar, ajudando trabalhos sobre relevo, biodiversidade, petróleo e outros temas.

RECAUCHUTADO

O Alpha Crucis já soma 39 anos em operação. Antes de chegar ao Brasil, ele pertenceu à Noaa (agência nacional de oceanos dos EUA) e à Universidade do Havaí.

"Mas o navio está em excelentes condições. Além de ter sido extremamente bem cuidado, ele sofreu uma grande reforma antes de chegar até nós", avaliou Nonato.

A manutenção, aliás, deverá ser prioridade na gestão do navio. "Comprar um navio é até fácil, comparado ao trabalho que é mantê-lo", completou o cientista.

Antes de bater o martelo, porém, a equipe visitou 18 outros navios.

"Precisava ser um equipamento funcional e em condições de ser reformado para fazer pesquisa de ponta, mas ainda com um preço acessível", explica Michel Mahiques, diretor do IO-USP.

O Alpha Crucis deve zarpar para sua primeira missão -um projeto da USP sobre fluxos de carbono na margem brasileira- no segundo semestre. Outras duas saídas estão programadas para 2012.

O navio também estará aberto a receber cientistas de outras instituições que deverão submeter suas propostas a uma comissão científica.

"A operação do navio é cara [cerca de US$ 15 mil por dia no mar]. Então, a seleção, é claro, será bastante criteriosa. Mas nós estamos abertos", explica Mahiques.

Com quatro laboratórios, sala de estar, miniacademia e até churrasqueira, o navio poderá receber (dependendo da configuração) cerca de 40 pessoas, 18 delas tripulação.

O objetivo é que, além dos cientistas sêniores, as missões sejam sempre acompanhadas por alunos da USP.

Muitos dos estudantes na graduação entraram na faculdade quando a USP já estava sem barco. Ontem, ao visitarem o navio que deve ser sua primeira experiência em alto-mar, eles não disfarçavam a ansiedade. Com máquinas fotográficas em punho, muitos já faziam planos de futuros projetos a bordo.

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