São Paulo, SP, 18/06/2018
 
13/02/2017 - 10h19m

Vale e Museu Emílio Goeldi lançam estudo sobre flora em Carajás

Agência Brasil/Andreia Verdélio 
Museu Emílio Goeldi/Carla Lima
Flor Ipomoea Cavalcantei, típica da Serra dos Carajás, recebeu nome em homenagem ao pesquisador Paulo Cavalcante
Flor Ipomoea Cavalcantei, típica da Serra dos Carajás, recebeu nome em homenagem ao pesquisador Paulo Cavalcante

Belém - Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi e do Instituto Tecnológico Vale (ITV) lançaram esta semana o primeiro volume sobre os estudos da vegetação da Serra de Carajás, no Pará. A publicação reúne o trabalho de 55 botânicos e mais de 22 instituições do Brasil e do exterior, que reuniram informações sobre 139 gêneros e 248 espécies da flora da região.

O projeto Flora das cangas da Serra dos Carajás, Pará, Brasil é desenvolvido desde 2015 e conta com a colaboração de 74 botânicos taxonomistas do Brasil e do exterior. Segundo o Museu Goeldi, é possível que, ao final de 2017, as pesquisas sejam responsáveis por catalogar quase 10% das 7.071 espécies da flora referidas para o estado.

No total, serão três volumes publicados na Rodriguésia, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, uma das revistas nacionais mais tradicional na área de botânica. A pesquisa também conta com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Uma das descobertas desse trabalho foi o registro de mais quatro espécies de Ipomoea, nativas de Carajás mas com ampla distribuição por outras regiões do país. Os dados anteriores faziam referências a três espécies dessa flor, consideradas endêmicas da região: Ipomoea carajasensis, Ipomoea cavalcantei (a flor-de-Carajás) e Ipomoea marabaensis.

Com o novo levantamento foi possível atualizar este dado, sabendo-se agora que há um total de sete espécies deste gênero da região de canga. Outros casos semelhantes também foram registrados para outros grupos de planta.

Conservação x Exploração

Segundo o Museu Goeldi, na Floresta Nacional de Carajás encontra-se uma das maiores províncias minerais do mundo e também as cangas, que são ecossistemas vegetais associados a locais onde ocorrem a elevação de rochas ferruginosas. As cangas ou campos ferruginosos são encontradas em vários locais do Brasil e são conhecidas por abrigarem seres vivos muito específicos e adaptados às características desses lugares.

Entretanto, por geralmente estarem associadas às principais jazidas de ferro do país, as cangas representam desafios para a pesquisa e o planejamento que concilie a conservação da biodiversidade e a exploração dos recursos naturais.

As cangas de Carajás estão imersas na Floresta Amazônica, considerada a grande lacuna de conhecimento de flora do Brasil. O trabalho de Museu Goeldi e do ITV visa suprir parte dessa lacuna e também auxiliar o diálogo entre a ciência, o setor produtivo e órgãos responsáveis pelo licenciamento ambiental na região, trazendo informações detalhadas sobre as espécies desse ecossistema.

Através do regaste e sistematização da informação, o estudo atual disponibiliza informação correta e autenticada, substituindo listas desatualizadas. Todo o material coletado desde 2015 já está incluído em banco de dados, com 8,8 mil amostras depositadas no herbário do Museu Goeldi, em Belém.

A compilação das espécies que ocorrem na canga na Serra dos Carajás vai estabelecer ainda uma visão comparativa desta flora com outras áreas de cangas do país e formações rupestres já inventariadas na Amazônia, como o Parque Estadual do Cristalino, no Mato Grosso, e a Serra do Aracá, no Amazonas.

Museu Goeldi e ITV

O Museu Goeldi é a instituição mais antiga da Amazônia, fundada em 6 de outubro de 1866 e pioneira na investigação científica sobre a flora de Carajás, com a primeira expedição de coleta na região realizada em 1969.

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, ele mantém 18 coleções científicas principais com mais de 4,5 milhões de itens tombados e seis programas de pós-graduação.

Já o ITV foi criado há oito anos pela Vale, que opera minas de ferro, cobre e níquel no sudeste do Pará. O instituto tem o objetivo de buscar soluções inovadoras que auxiliem o desempenho operacional da empresa respeitando o meio ambiente e as comunidades tradicionais da região.

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