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28/03/2016 - 14h48m

Vitória de Ayrton Senna no GP do Brasil faz 25 anos; relembre

Portal EBC/Edgar Matsuki  
Divulgação
No dia 24 de março de 1991, Ayrton Senna vencia o GP do Brasil
No dia 24 de março de 1991, Ayrton Senna vencia o GP do Brasil

Brasília - No dia 24 de março de 1991, Ayrton Senna conseguiu o que é considerado por muitos a maior vitória de toda a sua carreira. Há 25 anos, ele vencia o GP do Brasil depois de correr por sete voltas apenas com a sexta marcha.

GP Brasil de 1991

Senna já havia ganho a primeira corrida da temporada, em Phoenix (EUA). Vencer em casa seria a chance de disparar no campeonato. Porém, ele teria de lutar contra duas coisas: as Williams de Nigel Mansell (ING) e Ricardo Patrese (ITA) e o fato de nunca ter vencido em casa. Apesar de já ter, à época, sido bicampeão mundial, a melhor posição conquistada havia sido um 2º lugar em 1986. Das oito vezes que havia disputado a corrida, em cinco tinha abandonado.

Largar na primeira posição era o caminho mais óbvio para trilhar a vitória. Nos treinos, que na época eram de uma hora com todos os pilotos podendo marcar tempos (diferentemente de hoje em que há desclassificações no meio do treino), a decisão ficava para o final. Lutando contra as Williams, Senna fez alguns ajustes no carro durante o treino inteiro para apenas em sua última volta fazer 1:16.392 e largar na frente. Mesmo assim, ele declarou que o carro não estava 100%.

Nem Senna imaginaria as emoções que teria durante a corrida. A largada até que foi tranquila e nas primeiras voltas, ele conseguiu abrir cerca de 7 segundos de vantagem para Mansell, que havia passado Patrese na primeira volta. Porém, o inglês começou a fazer muitas melhores voltas na corrida e chegou a baixar a distância para menos de um segundo (volta 19) até ter que entrar nos boxes para trocar pneus (volta 25). E aí a sorte esteve ao lado do brasileiro: o carro de Mansell teve problema para arrancar dos boxes e perdeu 15 segundos (enquanto Senna fez a parada em 7s).

O problema é que o carro de Mansell continuava se mostrando melhor e a distância chegou a menos de 3 segundos novamente. A sorte de Senna é que Mansell desgastou os pneus e começou a perder ritmo. Naquela altura, havia uma ameaça de chuva. Senna decidiu não ir para os boxes. Mansell foi e perdeu mais tempo ainda.

Com uma parada a menos, Senna esperava pela chuva (que poderia fazer a corrida ser cancelada ou força uma nova parada de Mansell) para entrar nos boxes. O problema é que o brasileiro via a grande distância que tinha se esvair. Tirando cerca de dois segundos por volta, Mansell estava a 18s de Senna. Até que o inglês cometeu um erro, rodou e abandonou a corrida.

Quando a vitória de Senna parecia quase certa (ele estava a 40s a frente de Patrese), o maior drama começou. O carro começou a ficar muito lento. De fora, todos pensavam que ele estava administrando. Porém, eram as marchas que, de uma em uma, estavam quebrando. Patrese tirava de 3 a 5 segundos por volta e a distância tinha caído para 9,6 faltando três voltas. Se continuasse neste ritmo, ele perderia.

Mas Senna fez o impossível: conseguiu, com apenas uma marcha, baixar o tempo de 1:28 médio que estava fazendo para 1:25 nas voltas seguintes. Sabendo que não ganharia mais, Patrese tirou o pé e Senna só controlou o carro para fechar a última volta (quando começou a chover em Interlagos) para ganhar a corrida. Era a vitória.

No rádio do carro, Senna só gritava. A McLaren não aguentou nem completar mais voltas. Ele teve de ser rebocado e Senna, com fortes espasmos musculares, foi levado por médicos da pista. Enquanto a torcida (que enfrentava a chuva nas arquibancadas) gritava o nome de Senna, ele conseguiu com dificuldades levantar o troféu e conquistar a maior vitória de sua carreira. Depois da corrida, ele disse a seguinte frase:

“Só voltei à realidade quando vi a bandeirada. Aí senti um imenso prazer em viver, em estar em Interlagos, na minha terra e vendo a minha gente feliz. Não foi a maior vitória da minha vida, mas foi a mais sacrificada. Se esse era o preço de ganhar no Brasil, foi barato. Valeu!”

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