São Paulo, SP, 05/12/2023
 
09/11/2022 - 13h45m

Museu Felícia Leirner, em Campos do Jordão. Esculturas e ar puro

Agência Hoje/Daniel Lopes 
Agência Hoje/Ana Victoria de Oliveira Lopes
Com lindos jardins, o museu a céu aberto Felícia Leirner agrada pela vista e pela história
Com lindos jardins, o museu a céu aberto Felícia Leirner agrada pela vista e pela história
  • Jardins bem conservados, pinheiros e pássaros em quantidade
  • Ao todo, são 86 esculturas, sendo 44 em bronze, 39 em cimento branco

Campos do Jordão, São Paulo – A cidade de Campos do Jordão, localizada em plena Serra da Mantiqueira, a 1.628 metros de altitude e distante 173 quilômetros da capital paulista, é seguramente um dos cinco melhores destinos turísticos do Brasil.

E o Museu Felícia Leirner que ocupa uma área de 35.000m2 em uma das regiões mais agradáveis da cidade, é uma das joias do lugar. Além das belezas da mata atlântica, oferece um acervo com 86 esculturas que valorizam a natureza e são um convite irrecusável a todos que apreciam arte.

A vida de Felícia Leirner teve momentos de dor, tristeza, medos, sucessos e grandes alegrias. Nascida em Varsóvia, na Polônia, em 1904, chegou ao Brasil em 1927, aos 24 anos, e passou a viver em São Paulo. Enfrentou a cidade que já era grande, o idioma estranho, os costumes diferentes, as hostilidades.

Primeiros Trabalhos

Somente em 1948, aos 44 anos, escolheu o mais renomado artista da época, Victor Brecheret, para iniciar seus estudos de escultura. Os primeiros trabalhos, na fase Figurativa, vieram em 1950 e seguiram até 1958.

Mas, em 1953, ainda na fase de aprendizado, recebeu os primeiros reconhecimentos, ao ser convidada a participar das bienais internacionais de São Paulo. Em 1955, já consagrada, ganhou o Prêmio de Aquisição do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, um reconhecimento nacional.

Apenas dois anos depois, as esculturas foram incorporadas aos acervos do MASP (Museu de Arte de São Paulo) e do Museu de Arte Moderna de Paris. Outros vieram em seguida:  Stedelijk Museum de Amsterdã e a Tate Gallery, de Londres.

A consagração internacional de Felícia Leirner teve desdobramentos a partir de 1958, quando adotou um novo estágio em seus trabalhos, a arte abstrata.

Contudo, o sofrimento e a dor apareceram em 1962, com a morte precoce do marido, Isai Leirner. Sempre morando em São Paulo, ela tomou a decisão de mudar para um cantinho que conhecera anos antes, junto com o marido. É nesse ponto da história que entra a cidade de Campos do Jordão, com sua natureza preservada e muitas belezas.

Na mudança trouxe todas as suas esculturas e guardou com cuidado e carinho, até conseguir fundar o Museu Felícia Leirner. Adotou uma vida espartana. Não foi fácil, mas o reconhecimento conquistado e o apoio de amigos ajudaram a vencer e se consolidar.

Com o Museu vieram as alegrias e as novas fases. Cruzes, em 1963; Estruturações, em 1964 e 1965; Bichos, em 1970; Bienais; Selo Comemorativo e mais museus internacionais que receberam seus trabalhos: Hermitage (Rússia), Royale de Belgique (Bélgica), Ein-Hod (Israel), Moderna Galeria de Belgrado, Sérvia..

A carreira seguiu em crescimento contínuo, até alcançar o sonhado prêmio de melhor escultor brasileiro, concedido pela Bienal de São Paulo.

Grande Sonho

A realização do grande sonho, contudo, só veio em 1978, depois de ampliar seus horizontes, deixando o barro, o bronze e o granito e adotando produção das peças em cimento branco, sempre com auxílio dos trabalhadores da região de Campos do Jordão.

Surgiram nessa fase as obas de grandes dimensões, uma delas com 8 metros de comprimento e 3 de altura, no Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo.

Atendendo sugestão de amigos, a grande escultora que se tornou brasileira de coração, decidiu doar todas as obras de sua autoria para o Governo do Estado de São Paulo. Assim, nasceu o Museu Felícia Leirner, inaugurado oficialmente em 1979.

O último trabalho feito dentro do próprio Museu está na fase Portais. Trata-se de uma escultura que emoldura uma árvore torta do jardim. Depois, o recolhimento em sua casa em Campos do Jordão e as distrações com bordados, tapetes, desenhos e escritos.

No final da vida, sempre produtiva, ela opta por esculturas menores, feitas em barro e depois fundidas em bronze. A grande maioria de pássaros que ela admirava nas árvores que a rodeavam, nas matas, nos caminhos, nos jardins.

Felícia morreu em 1996, aos 92 anos de idade. Deixou um resumo do que foi sua vida:

“O que faço: arrumo, desarrumo, corto, emendo, arranjo, furo papel, pano, tudo que estiver ao meu alcance arrumando, desarrumando, modificando. E daí, o que valeu? Valeu o que eu senti e modifiquei”.  – Felícia Leirner

Agora, a visita

Impossível conhecer o Museu Felícia Leirner sem ter uma noção do que foi essa mulher extraordinária, que nasceu longe e forjou sua vida no Brasil, onde escolheu um cantinho muito belo, de natureza exuberante, animais silvestres e muitos pássaros.

Esse cantinho que ela escolheu para viver fica em Campos do Jordão e merece ser visitado com muita atenção e respeito. Fica na Av. Dr. Luís Arrobas Martins, nº 1880 – Alto da Boa Vista e está aberto ao público de terça-feira à domingo, das 9h às 18h.

O conjunto das obras e a localização do Museu, com valorização da natureza e extremo cuidado na limpeza e na conservação, receberam em 1987, uma nota de consideração da Revista Sculpture, do International Sculpture Center, de Washington, Estados Unidos, como um dos mais importantes do gênero no mundo.

O visitante pode conhecer, além dos jardins magníficos e bem cuidados, 86 obras de bronze, cimento branco, granito e gesso. Estão distribuídos ao ar livre e dispostos seguindo critério da própria artista.

As esculturas estão agrupadas pelas fases da trajetória de Felícia: figurativa (1950-1958), a caminho da abstração (1958-1961), abstrata (1963-1965), orgânica (1966-1970) e recortes na paisagem (1980-1982).

O objetivo do Museu é manter uma referência nacional e internacional, aliando o patrimônio cultural e o patrimônio natural em um único espaço. Ao mesmo tempo, promove a sustentabilidade e estimula os cuidados da comunidade com o meio ambiente.

Logo na chegada, o visitante encontra um quiosque de recepção com funcionários da ACAM Portinari, empresa responsável pelos cuidados com o acervo e as instalações desde 2010, trabalhando em parceria com a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.  

Aliás, a área onde está o Museu é remanescente da Mata Atlântica e apresenta uma grande diversidade biológica, incluindo espécies de animais ameaçados de extinção. Como resultado, é protegida e conta com uma equipe de cuidadores permanentes.

As calçadas de acesso são em concreto, largas, permitindo caminhadas agradáveis a pé. O quiosque disponibiliza cadeiras de rodas para os frequentadores com dificuldades de locomoção, sem custo. Não há espaço para trânsito de veículos nas áreas do parque do Museu.

Há um estacionamento espaçoso para veículos. O serviço é pago e funciona no mesmo horário das visitas, de terça a domingo, das 9h às 18h. O Museu não abre às segundas. No Auditório Cláudio Santoro funciona um café e um restaurante.

Animais são permitidos, desde que com coleiras e focinheiras.

O acervo inclui 86 esculturas, sendo 44 de bronze, 39 de cimento branco, duas de granito e uma de gesso. A restauração faz parte de um projeto iniciado pela ACAM Portinari em 2009, através do restaurador Júlio de Moraes.

Ao lado do Museu fica o Auditório Cláudio Santoro, onde se realizam grandes apresentações artísticas, principalmente durante o inverno. A capacidade é de 814 expectadores e conta com equipamentos de acessibilidade, tipo rampas, elevador para cadeirantes e banheiros adaptados.

Quem visita o Museu, deve, é claro, aproveitar e visitar o auditório.

O passeio pelas calçadas é muito agradável. Ar puro, natureza, jardins bem cuidados, vistas deslumbrantes, esculturas, árvores gigantescas e algumas lendas. Entre elas, a de que quem tocar nos pinheiros gêmeos pode ter um pedido atendido...

Por tudo isso, vale muito a pena visitar o Museu e a área onde ele está instalado, aproveitar para ver de perto os pinheiros, os remanescentes da Mata Atlântica, os pássaros e, mais raramente, os pequenos animais que encantam o lugar.

SERVIÇO

Museu Felícia Leirner

Av. Dr. Luis Arrobas Martins, 1880 – Alto Boa Vista
Campos do Jordão, São Paulo
Informações: (12) 3662-6000 ou contato@museufelicialeirner.org.br

Distância São Paulo: 173 quilômetros

Ingressos (Novembro 2022)

De terça à domingo – Inteira R$ 15,00/Meia R$ 7,50

Domingos – Gratuito

Pagamento – Dinheiro, cartão de crédito/débito, vale cultura

Funcionamento

De terça a domingo, das 9h às 18h
Segunda, fechado à visitação

Importante
O Museu e o Auditório não abrem às segundas-feiras (exceto feriados) e nas Eleições.

Expediente fim de ano:
Véspera do Natal – 24/12: aberto até às 13h
Natal – 25/12: fechado
Véspera do Ano Novo – 31/12: aberto até às 13h
Ano Novo – 01/01: fechado

Estacionamento

Pago, exceto para idosos, deficientes físicos e gestantes

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